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Ricos e pobres: quem lê e escreve mais

By 28 de agosto de 2019 No Comments

Não precisa muita pesquisa para ver que uns são podres de excesso de dinheiro e milhões mal têm para pagar as contas de água e luz, e um mercado básico. Segundo os que entendem do assunto, há causas para essa tal desigualdade social.

Cláudio Moura Castro, economista e especialista em educação, aponta três: a escrita, os livros e a complexidade tecnológica. Confira na revista Veja número 2625, de 13 de março último, num artigo chamado “Conspiração para a pobreza”.

A primeira – escrita –, inventada pelos egípcios e sumérios, aperfeiçoada pelos gregos há 3.000 anos, permitiu que o homem se diferenciasse bastante, suponhamos, de uma vaca. Esta vive o aqui-e-agora,  concreto total. Está com fome, busca capim; com sede, água. O mais é remoer sem pressa a vida. Já o ser humano bota no papel (antigamente era papiro, pergaminho, velino) alguns desenhos chamados letras e números e adquire enormes poderes.

Aí começa a separação entre os que sabem e os que não. Basta um indivíduo colocar no papel os nomes de 1.000 pessoas, com dados de identificação e a indicação de um tanto de dinheiro para cada uma, para ele dominar todas. Prosperou aí a contabilidade, os cálculos matemáticos, e quem estava por dentro desses mistérios acumulou fortunas. Mas não foi só isso.

Apareceram os filósofos, que passaram a inventar teorias para justificar porque as coisas eram como eram. Uma delas, a de que o poder dos reis e sua turma de sangue azul vinha direto de Deus, durou séculos. Só foi abalada de 1.600 para cá. E ainda continua, pois até hoje existem reis e princesas. Mas bem mais humildes do que foram seus antepassados.

A segunda causa veio de Guttemberg, que inventou a imprensa. Antes um livro era escrito a mão, demorava, um de cada vez. Imagine o preço que não ficava! Guttemberg barateou bastante, porque imprimiam-se muitos de uma vez só. De repente, quantidade e velocidade permitiram o aparecimento da ciência moderna. Surgiram autores como Copérnico, Galileu, Descartes, um monte de gente escrevendo e divulgando suas idéias.

Começou uma briga feroz entre os que sabiam ler e a turma do deixa-disso-porque-está-tudo-beleza! Isto é, beleza para eles, montados no dinheiro e posando de bacana. Quem venceu? Os espertinhos com livros nas mãos, idéias na cabeça e capacidade de comunicação. Derrubaram os reis, e em seu lugar instalaram presidentes e ministros. (Veja no YouTube os iluministas e a Revolução Francesa).

Chegamos aos nossos tempos.

Claro que há muitos detalhes que não podem ser explicados num artigo como este. Para informar-se, há hoje recursos enormes com a invenção do computador e da internet. Foi como se Guttemberg se multiplicasse por um milhão. Ou seja: os livros agora estão ao alcance de todos. Se não pode comprar em papel, lê na tela.

Finalmente, a terceira causa de por que cada vez mais uns viram bilionários e a maioria só faz para o gasto. Claro que tem sempre uma turminha no meio – a tal classe média – de olho numa oportunidade de chegar ao seu milhão. É, segundo Cláudio Moura Castro, a complexidade tecnológica. Vamos traduzir em linguagem  fácil de entender.

Antes, para produzir milho, o cara pegava uma enxada, limpava o terreno, tirava a semente no próprio paiol, covava, plantava, colhia. Qual a complexidade? Mínima. O mais complicado era produzir a enxada: extrair o ferro, derretê-lo, colocar numa fôrma, levar ao comércio e vender. Agora, vamos considerar hoje. Primeiro que não é mais aquele sistema de cada qual com sua rocinha produzindo um milho para fazer pamonha e guardar no paiol o restante. São áreas imensas, com máquinas sofisticadíssimas, e o pessoal que opera tem que saber ler, calcular, cuidar, comunicar. Quantos anos de estudo para produzir essas máquinas e preparar esse pessoal?

Resultado: quem domina a escrita e a leitura conhece as manhas. Isso explica porque o fazendeiro antigo, que tirava leite na munheca, perdeu o poder para os modernos empresários do agronegócio com suas ordenhas cheirosinhas. Estes lêem e escrevem mais. Tá explicado? Leia o artigo do Cláudio Moura Castro. Ele oferece mais luzes, porque  escreveu  nove páginas.

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